Neblina, tempestade, ventos fortes: quando o voo atrasa ou é cancelado, a explicação mais comum no balcão é "foi o tempo". Muitos passageiros entendem isso como o fim da conversa. Não é bem assim.
A assistência material continua obrigatória
Mesmo quando o problema é o clima, a companhia aérea deve prestar a assistência material prevista na Resolução nº 400/2016 da ANAC, de acordo com o tempo de espera:
- A partir de 1 hora: meios de comunicação;
- A partir de 2 horas: alimentação;
- A partir de 4 horas: hospedagem, se houver pernoite, e transporte.
Em caso de cancelamento ou atraso superior a 4 horas, o passageiro também pode escolher entre reacomodação, reembolso integral ou outra modalidade de transporte. O mau tempo não retira esses direitos.
Quando o clima afasta a indenização
Desde 2020, o Código Brasileiro de Aeronáutica prevê que restrições de pouso ou decolagem causadas por condições meteorológicas adversas, impostas pelo controle do espaço aéreo, podem ser consideradas caso fortuito ou força maior. Nessas situações, a companhia pode não ser responsabilizada pelos danos decorrentes do atraso em si.
Mas atenção: cabe à companhia comprovar que o problema foi realmente meteorológico e que ele causou aquele atraso específico.
Quando ainda pode haver reparação
- Falta de assistência: a companhia deixou o passageiro horas sem alimentação, hotel ou informação;
- Clima como desculpa: outros voos para o mesmo destino decolaram normalmente no mesmo período;
- Demora excessiva para reacomodar: o tempo melhorou, mas o passageiro só foi realocado dias depois;
- Informações desencontradas: mudanças de justificativa ou falta de comunicação adequada.
O que guardar
- Prints do status do voo e dos avisos da companhia, com horário;
- Foto do painel do aeroporto, se possível mostrando outros voos decolando;
- Comprovantes de gastos com alimentação, transporte e hospedagem;
- Protocolos de atendimento.
Veja também: direitos em caso de atraso de voo e quais provas guardar.

Texto informativo, atualizado em 23 de outubro de 2026. Não substitui a análise individual do seu caso.